Festival de Curtas-Metragens de Sintra
12 a 15 Fevereiro 2015

Pt En

Edição 2015

Há cinco anos, quando embarcámos na jornada de organizar um festival de cinema, estávamos longe de perceber a dinâmica que visa o progresso de algo tão particular. Não tínhamos relação direta com esta indústria, eu e o Michel Simeão éramos apenas apreciadores de cinema como qualquer outra pessoa, o que era motivação suficiente para programar um evento com estas características. Abrir uma competição, receber filmes e programá-los parecia-nos uma tarefa relativamente simples. Que ingenuidade. Não frequentávamos festivais de cinema, nem tão pouco conhecíamos pessoas relacionadas com a área.

A primeira edição foi produzida em três meses, através de um blog e com uma tímida competição nacional. O Córtex realizou-se na sede da Associação Reflexo em Sintra com uma plateia que rondava as 30 pessoas, o que nos permitiu esgotar todas as sessões, afinal de contas, quantos festivais se podem orgulhar de ter casa cheia logo na primeira edição?! Os filmes foram exibidos através de um projetor caseiro gentilmente cedido pela junta de freguesia de Santa Maria e São Miguel e o nosso programa de sala resumia-se a 3 folhas A4 plastificadas ao jeito de um bilhete de identidade.

Chegámos ao fim com a sensação de missão cumprida, com a certeza que programar um festival de cinema era um trabalho a part-time relativamente fácil.

Aquilo que não sabemos é como se não existisse e naquela altura a nossa ambição era demasiado modesta para o que estava reservado para nós.

Deslocar o Córtex para o Centro Cultural Olga Cadaval na segunda edição, trouxe consigo uma nova dimensão de organização e consequentemente novos desafios e novas áreas a serem contempladas que um Festival de Cinema exige.

Sem nos apercebermos, o que começou por ser um hobby cultural de brincar aos festivais de cinema tornou-se uma intensa experiência que fugiu completamente do nosso controlo e que ultrapassou a largos passos a nossa ambição inicial.

Fomos empurrados para o centro de uma realidade que desconhecíamos, onde várias mãos se estenderam para nos ajudar a traçar o nosso caminho.

Muitas questões ainda se levantam na programação e seleção de filmes, a relevância de produzir um evento destes ainda hoje é questionada por nós, no entanto todas estas questões retóricas estão a dar lugar a uma identidade própria que temos vindo a cimentar ao longo dos anos.

O Córtex tem a particularidade de não exigir estreias, permitindo aos realizadores e às produtoras a opção de submeterem o seu filme em mais do que uma competição no país de origem.

A perspectiva do olhar do público sobre determinado filme sofre interessantes mutações tendo em conta o conjunto dos outros filmes na secção em que está inserido, o contexto em que este é apresentado altera-se sempre de acordo com a identidade de cada festival.

Damos a oportunidade de um filme poder acumular mais do que um ou dois prémios no país de origem, demonstrando que a proliferação dos festivais é uma eficiente forma de promover a excelência da produção nacional.

Todos os anos, dedicamos a sessão de abertura um realizador de mérito e internacionalmente reconhecido, que a nosso ver, tenha um percurso interessante no contexto das curtas metragens. Queremos com isto, providenciar ao público verdadeiros objetos cinematográficos, mostrando o trabalho icónico através do qual grandes cineastas iniciaram a sua carreira, filmes estes, que muitas vezes estão esquecidos em cinematecas e institutos de cinema, não estando acessíveis ao publico na generalidade. A quinta edição do Festival Córtex assinala sobretudo a maior mudança no paradigma editorial desenhado até hoje por nós. É a edição mais ambiciosa de sempre. Além das habituais competições nacional e internacional, a competição internacional será alargada com mais uma secção. Tornou-se uma necessidade de primeira ordem, programar uma maior variedade de filmes internacionais para escoar a abundância de curtas-metragens que temos recebido anualmente. Pela primeira vez, o Festival Córtex vê nascer uma competição a pensar no público infantil. O Mini Córtex tem o intuito de envolver e estimular os mais pequenos, através do dispositivo que é o cinema. A secção infantil pretende favorecer cinema que possibilite a construção de imaginários e que produza uma identificação na vivência de emoções. Além da componente de entretenimento, iremos desenhar um programa assente na acção pedagógica em que é possível “educar com o cinema” e “educar sobre o cinema”.

Outra novidade na programação do Festival é a inclusão de uma nova secção intitulada “Hemisfério”. Uma mostra que convida todos os anos, uma instituição de cinema internacional, a programar um ciclo de curtas metragens do seu país. Acima de tudo, queremos oferecer ao púbico a oportunidade de se envolver com uma nova dimensão cultural através da sétima arte, colocando o espetador no papel ativo de uma nova concepção cognitiva da sua realidade social.

Durante os quatro dias de festival, iremos oferecer uma programação diversificada e estabelecer simultaneamente um lugar de encontro para os profissionais de cinema do país. O Festival Córtex chega à sua quinta edição, renovando mais uma vez o compromisso com o publico e com a industria cinematográfica de privilegiar o cinema emergente. O cinema acontece em Sintra.